Domingo, 14 de Março de 2010

Reciclagem na Agricultura

 

 
 
Ambiente e sustentabilidade em Portugal é novidade, e moda, mas o conceito no seu verdadeiro sentido da palavra, é imaturo, ou seja um ovo!
Há muito por fazer! Primeiro começa-se pelo que dá retorno financeiro, e os lixos, se devidamente encaminhados, dão realmente lucro a quem neles investe, mais que não seja para aluguer de armazéns e espaços para deposição de produtos não recicláveis ou para fins de energia dos fornos de fábricas.
As profissões relacionadas com os lixo são relativamente recentes. Além dos aterros (antigas lixeiras) e dos varredores de rua, todas as demais profissões pertencem mesmo ao final do século XX. A engenharia do ambiente e sua cadeira universitária abriu portas aos estudantes portugueses só no fim da década de 80.
Apesar de há mais de 20 anos eu acreditar na reciclagem, só agora é que verdadeiramente se vêm resultados, ainda que reduzidos.
 
Dos produtos reciclados que já tive oportunidade de investir e usar, poucos foram os que realmente me satisfizeram como consumidor, e, isso demonstra que o caminho a percorrer é extenso, pois no dever de aliar a tecnologia à inovação e sacrificio, os materiais têm os seus defeitos e contrapartidas em que passo a salientar os mais evidentes:
- Papel, será o produto mais reciclado e bem sucedido, o problema é que no uso dos produtos lixiviadores para a reciclagem do papel, e dependendo do tipo de papel pretendido, esses produtos serão tão nocivos quanto a produção/transformação de nova celulose, além de que o papel normal reciclado absorve mais tinta, o que implica maior gasto da mesma nas impressões e não deixando a mesma qualidade impressa semelhante à do papel não reciclado;
- Pneus, as experiências que tive com pneus reciclados, é que apesar de mais baratos, são também muito mais fracos e fáceis de furar e de desgaste;
- Tinteiros para impressora, gastam-se muito rapidamente, o que no final do ano, o que se poupou em tinteiros não reciclados, gastou-se em maior quantidade dos mesmos e também de papel, pois as afinações das impressoras ainda não estão adequadas às novas realidades;
- Plástico, já se começa a obter resultados interessantes, mas infelizmente o plástico reciclado ainda é muito estaladiço e quebradiço;
-Vidro, para mim, é onde a reciclagem consegue melhores resultados, pois o vidro mantém as mesmas características que o vidro normal em questões de manejabilidade e durabilidade;
-Orgânicos, uma única palavra para estes resíduos, compostagem, a sua reciclagem revitaliza os solos produtivos.
Torna-se claro, assim que todas, mas mesmo todas, as profissões do homem universal, têm que juntos conseguir criar e melhorar as técnicas no trabalho, rentabilizar os produtos e energias, maximizar e investir nos estudos e projectos inovadores e que prevejam uma melhoria dos recicláveis, de forma a garantir uma sustentabilidade futura. E quando eu me refiro a todos, incluem-se mesmo todas as profissões, pois de que vale formar um cientista químico, que venha a trabalhar no sector dos plásticos e criar um produto excelente mais duradouro, se um professor ou jurista usar indecorosamente esse produto, deixando-o negligentemente no meio de uma qualquer mata após um piquenique?
O problema, claro, está em que a união entre todas as profissões de forma a educar e reciclar o conceito de vida humano está nas mãos de todos, começando obviamente por quem detém o poder, até chegar realmente a quem no lixo trabalha. Portanto para mim e para o meu conceito de vida, não existem “doutores” responsáveis em cargos e técnicos de limpeza de rua descuidados, existe sim uma sociedade que precisa de abrir novos horizontes, fechar metas criadas há 100 (capitalismo / industrialização) ou 2000 anos (democracia / economia) pelos lobbyes de sempre, e preparar os seus cidadãos que graças à Era da globalização fazem parte da nossa casa chamada “PLANETA TERRA” ou “PLANETA AZUL”.
 
Felizmente, é claro que nem tudo são cardos! Já existem muitas rosas lindas que começam a desabrochar no dia a dia da sociedade moderna, mas enquanto houver líderes que defendam conceitos que já não se aplicam, tais como o uso de peles de animais selvagens, ou o uso indeliberado de químicos, (mesmo quando não é necessário), para tratar da saúde pública e animal, enquanto o conceito de higiene estiver aliado a um mercado consumista, enquanto o conceito de viver bem estiver aliado a comer muito, enquanto a qualidade de vida estiver aliada a bons carros e casas com piscina, enquanto o comodismo de conforto estiver aliado ao gasto exagerado de energia sob todas as suas formas, enquanto o conceito sobre controlo de natalidade ainda fôr tabu por razões acima de tudo étnicas, entre outros “enquantos”, está nas mãos de todos, a grande responsabilidade da herança que vamos deixar aos humanos vindouros.
 
Veja-se um exemplo com um texto de apoio como base:
 
 “Metano é, de longe, o gás mais importante para o efeito estufa (sem contar o CO2). E a fonte número um de metano no mundo todo é a criação de animais.(...)
A parcela de responsabilidade do metano pelo aquecimento global é praticamente equivalente à parcela da soma de todos os outros gases de efeito estufa que não sejam o CO2. Metano é um gás 21 vezes mais poderoso, em termos de aquecimento global, do que o CO2. Enquanto que as concentrações de CO2 na atmosfera cresceram aproximadamente 31% desde a era pré-industrial, as concentrações de metano mais que dobraram. Enquanto as fontes humanas de CO2 correspondem a apenas 3% das fontes naturais de emissão, as fontes humanas produzem 150% mais metano do que as fontes naturais. Na realidade, o efeito das nossas emissões de metano podem ser compostas por aquecimento induzido por metano, que por sua vez estimula a decomposição de matéria organica em terras alagadiças, que é a fonte natural primária de metano.
Com as emissões de metano causando quase metade do aquecimento causado pelo homem, a redução das emissões de metano devem ser uma prioridade. Metano é gerado por várias fontes, incluindo minas de carvão e aterros sanitários. Mas a fonte número um no mundo inteiro é a criação de animais.(...)”
(excertos da carta de alerta de António Caldeira, a comentar o novo anúncio da Quercus, no website da Quercus)
 
Na minha profissão e num caso particular, a da produção animal – pecuária -, há já mais de 30 anos que se fala e se conhece o biogás. Esse gás (metano), como já se sabe existe na generalidade dos excrementos animais, e no caso das explorações agrícolas de pecuária, os excrementos poderiam ser utilizados para a produção de energia que ajudasse às necessidades da exploração tornando-a mais sustentável. O sub-produto final seria usado como composto em diferentes frentes agrícolas e paisagísticas. A tecnologia não é muito cara, se fizermos uma avaliação a 20 anos, mas o problema é que o sistema económico montado gosta de mostrar as amortizações a curto prazo, ou seja, as próprias instituições públicas sob a alçada do governo (agricultura), IFADAP, têm nos seus gabinetes os técnicos agrários com as técnicas dos anos 70 e 80 (inadequados portanto às novas realidades), psicólogos para avaliar o perfil dos candidatos e seus projectos que concorrem às ajudas financeiras, economistas gestores que querem resultados a 5 ou 8 anos. O problema é que na agricultura biológica em tempo real, os resultados dos projectos necessitam de no mínimo 10 anos para estarem a 75% de eficiência.
Coloco assim a questão:  Então afinal quem é o responsável por existir ou não de momento maior eficiência verde produtiva no tecido industrial?
Resumidamente, os dirigentes das nações são estereótipos dos seus antecedentes, seguindo o mesmo perfil ideológico da côr e movimento política/o, em vez de assegurar um equilíbrio estável e sustentável. Ilusoriamente promovem e participam em movimentos industriais e económicos a curto e médio prazo, valorizando assim os seus mandatos e não os dos seus sucessores. Não são dinâmicos e ainda sem ter compreendido porquê os estudos e resultados das investigações científicas naturais e/ou agrárias que melhorem, dignifiquem e/ou esclareçam as condições ambientais, são constantemente negligenciadas.
 
 
A primeira vez que o mundo ouviu falar seriamente em reciclagem foi quando surgiu a política dos 3 R’s (reduzir, reutilizar e reciclar), na convenção do Rio, em 1992, estava eu a começar a dar os primeiros passos para a minha actual profissão.
Com a consciência actual, socio-tecnológica, de que a industrialização e sua sociedade de consumo criaram um fosso do processo fisico-químico entre os resíduos e o ambiente, os líderes da maior parte dos Países que constituem a ONU decidiram gerir todo o processo, pois que até então, após ser recolhido pelas entidades responsáveis de recolha de lixos, era depositado em aterros / lixeiras.
Um dos primeiros factores a ter em conta foi a catalogação, separação e utilização dos respectivos resíduos. Nomeadamente os orgânicos e inorgânicos, os recicláveis e os não recicláveis, os perigosos e os não perigosos ou neutros, suas formas de reciclar, valorizar, depositar.
Referindo alguns exemplos:
Resíduos nucleares, têm que estar em recipientes estanques próprios armazenados no fundo do mar ou em antigas minas (à espera que não incomodem);
Resíduos orgânicos alimentares, são direccionados para aterros e uma pequena porção é direccionada para a produção de compostos orgânicos úteis para a agricultura e jardinagem, fechando assim o processo natural;
 Resíduos inorgânicos, em alguns casos como o do poliuretano, não são reciclaveis, obrigando a que estes venham a ser usados e valorizados como fonte energética dos fornos de incineradoras;
Resíduos orgânicos sanitários, são encaminhados para estações de tratamento, para depuração, filtragem, revitalização e reaproveitamento.
 
Os produtos e materiais usados pelo Homem são provenientes sempre daquilo que o planeta tem disponível, mas existem alguns que são “fabricados” ou alterados de forma a criar uma estrutura sintética dos mesmos, tal como os adubos químicos ou os fitofármacos.
Alguns resíduos são provenientes de efeitos secundários do uso de outros produtos, tais como os Óxidos de azoto e enxofre, que nos seus estados gasosos e quando liquidificados podem se tranformar em ácido nítrico e ácido súlfurico respectivamente, acidificando as chuvas e esterilizando os solos, entre outros efeitos.
 
Na classe dos produtos e resíduos recicláveis, existem muitas formas de reciclar. Para cada tipo de produto ou resíduo, haverá uma ou mais formas de o poder transformar. No caso concreto da compostagem, que é a minha área, esta também tem várias variantes (pois pode ser de origem doméstica/ animal ou totalmente vegetal), mas o objectivo principal é formar uma determinada pilha com diferentes materiais, resíduos em que a relação carbono – azoto (equivalente a 3 porções de carbono e 1 de azoto) seja estável e a humidade relativa na casa dos 60 a 70% seja a adequada e em simultâneo de forma a garantir algum arejamento para que o processo de fermentação no interior da pilha chegue aos 65º celcius (no mínimo e pode ir até aos 80º), de forma a eliminar as capacidades vegetativas de raízes e micro-organismos nocivos.
Na agricultura existem diferentes técnicas de compostagem, e as pilhas erguidas em pirâmide a 1,5m de altura com 2m de largura, estão provadas como sendo as que possuem os melhores resultados do produto final, com um estado de pureza de húmus devidamente acompanhado do seu típico cheiro agradável. Qualquer agricultor pode usar o tractor para o fazer ou mesmo fazê-lo manualmente, no entanto se utilizar as alfaias correctas há minimização de tempo e energia.
 
   
sinto-me: Gorillaz
música: qualquer uma
publicado por reflexoessustentaveis às 21:00
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