Domingo, 14 de Março de 2010

Globalização - sua liberdade ética e moral

 

 
Prólogo: No 25 de Abril de 1974, eu estava em casa, em Paço D’Árcos, contava na altura 5 anos de idade, no entanto o conceito LIBERDADE sempre me intrigou e acompanhou até aos dias de hoje.
"De um lado, o amor é uma história de respeito à liberdade do outro. De outro lado, é uma busca contínua de fazer respeitar a própria liberdade. Daí, ninguém é livre sozinho..." - Jean Paul Sartre
 Saliento que o meu modo de vêr a vida se aplica a bases éticas, morais e de respeito pelo meio que me envolve (natureza no seu todo). As bases religiosas ou legais criadas e institucionadas por homens são-me secundárias. Li o corão, a biblia e alguma outra bibliografia sobre o budaísmo tal como o Siddartha de Herman Hesse, pois necessitava de respostas. Como qualquer adolescente necessitava avidamente de respostas às minhas dúvidas. Necessitava de compreender o frenesim pela religião, a fé, o pecado, o respeito e um cento ou mais de outras definições. Para por fim aceitar alguns principios éticos de cada uma das etnias referenciadas sem no entanto me assumir como um seguidor de qualquer uma a não ser a única que existe na minha realidade quântica – A mãe natureza- pois se existe algum Deus é Ela. Dá-me água, luz, calor, frio, gelo, comida, animais, melodias, equilibrio, beleza, destruição, criação, abrigo, tormentas, oxigénio e tudo o mais que me permita viver ou morrer! A Mãe natureza não me pede que construa santuários em seu nome. Subtilmente informa que necessita de protecção, preservação e restauração dos usos de bens que ela própria me dá. A Mãe Natureza fala comigo através das plantas evidenciando que está doente e promove pragas, doenças e carências, ou está feliz e oferece frutos, comida, alimento. Oferece-me muitas formas de animais, com multiplas côres, em que cada um tem a sua própria melodia e beleza caracterizada.
Não conheço nenhum Deus que ofereça alguma coisa aos seus fiéis. Portanto para mim esses Deuses defendem as suas liberdades sob uma realidade unilateral! São criados por homens pensadores no seu tempo para promover uma forma de controlar a anarquia e instabilidade social do individuo ou colectivo Imperial, portanto considero-as ultrapassadas para a realidade global humana que se tem vindo a instalar e pertencente ao Seculo XXI.
Assim, frases como “a minha liberdade acaba onde começa a dos outros” insere-se perfeitamente não só no mundo global como tambem no meu mundo socio-profissional. A frase acima descrita em si diz tudo! Mas, infelizmente o homem civilizado nunca conseguiu de uma forma ou de outra criar uma fronteira neutra onde se fundem as liberdades colectivas e individuais dos mais fortes e/ou astutos com as dos mais fracos.
 
 “A liberdade é o direito de fazer tudo quanto não prejudique a liberdade dos outros."  - Turgot
“Até onde vai o seu autocontrole, vai a sua liberdade." - Marie von Ebner-Eschenbach
Encontrei no matrimónio com a mãe da minha filha a necessidade mútua constante de criar um equilibrio natural de respeito, dedicação, esforço, sacrifício, ética, moral, valorização, confiança e veracidade no intuito de perceber o conceito AMOR.
Digamos que essa experiência de vida que tive foi amarga, mas felizmente com um fruto celestialmente reconfortante. Não posso dizer que a relação de 8 anos que tive com a Cláudia (minha ex esposa) foi improdutiva ou sem nexo.
Quando a conheci, eu ainda vivia a descoberta juvenil do mundo que me rodeava que me tinha sida bloqueada devido pelo facto de não ter percorrido os mesmos troços que uma criança normal da época e região.
Por essa razão tinha algumas reservas face a uma vida conjugal com uma parceira, mas por motivos acima de tudo egoistas e unilaterais demos os primeiros passos como esposos. Sem grandes festas ou alaridos demos o nó. A Cláudia estava grávida de sete meses. Acabamos por formalizar o acto apesar de já vivermos juntos havia 2 anos! As vantagens fiscais e legais eram mais proveitosas se assim o fizessemos. A ponderação sobre a liberdade individual e colectiva de cada um dos intervenientes que mais tarde viria a ser atribuida a 3 sujeitos não foi devidamente equacionada por ambas as partes. Nestes momentos que se exige extrema reflexão, ponderação e frieza, nós humanos (sendo animais que somos) damos azo aos instinctos iniciando assim o principio de uma desordem que pode ou não ser catastrófica a longo prazo.
Acredito que assim existiriam menos atitudes ilegais e acima de tudo uniões e matrimónios fracassados. Logo, menos individuos nascidos e criados em ambientes revoltados, angustiados, magoados, carentes e qualquer outro traumas de “(…)ados” com fins de má indole.
Nessas condições, confrontado com o exemplo seguinte poderia ter tido um desfecho mais positivo e que beneficiasse todo o meio (eu, tu, comunidade, mundo e natureza):
Quando eu e a Cláudia percebemos que a relação não tinha futuro já a Rebeca existia! Então os desentendimentos conjugais misturavam-se com o afecto instinctivo e protector à nossa descendente. As nossas diferenças e objectivos, cada vez mais distintos aumentavam a diacronia racional. Eu apesar de tudo tentava manter a relação de forma a que a Rebeca não fosse viver uma juventude sem pai tal como eu vivi. Exactamente por ter vivido essa angustia é que tentei sob uma forma errada preservar a vida conjugal.
A Cláudia por fim teve a coragem de dar a iniciativa e por fim à relação. Depois de muitos dissabores que uma ruptura conjugal acarreta conseguimos (e infelizmente só depois) criarmos um equilbrio emocional e de respeito de nós os 2 para os 3 (Filha, Mãe, Pai).
Acabo por dar à minha filha (apesar sob uma forma mais moderada) o mesmo que recebi quando em formação emocional e familiar
 
sinto-me: aberto
música: The Wall
publicado por reflexoessustentaveis às 21:00
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Palmeiras e relvados no sul de Portugal?

 

Eu tenho uma paixão enorme por tudo o que é vegetal...
Bem,... quase tudo!
O meu relacionamento com plantas tem sido basicamente com as alimentares e as de zona mediterrânica. Até agora já construi mais de 400 jardins.
E em cada 100 jardins se fiz 1 de cactus foi muito!
Desses 100 jardins, fiz mais de 75 com relvados e ou com palmeiras.
Em Portugal o antagonismo anda de braço dado com a estolidez! De onde vem esta ideia do relvado com palmeiras?
Provavelmente vem de um misto de ideais de diferentes culturas, mas todos com algo em comum! Prefiro não adjectivar nada nem ninguém, pois iria censurar ou críticar, e não é essa a minha intenção de momento, mas puderei destacar algumas razões mais evidentes que levaram ao aparecimento das palmeiras e relvados:
- O imigrante que viveu um periodo de riqueza nas ex-colónias portuguesas, e saudosista pretende reviver alguma nostalgia introduzindo espécies provenientes desses países tal como a Palmeira.
- O imigrante que viveu na Suiça ou outro país circundante, onde os campos se mantêm verdes todo o ano com excepção na estação da neve
- O emigrante Norte europeu que se maravilha com o clima e deseja practicar sem as mesmas condições climatéricas os seus desportos e actividades culturais e sociais
- O “American dream” e os “Green open spaces” introduzidos pelas posturas de empresas nacionais e estrangeiras face ao americanismo
-Os jardins tipo Estoril –Sol (casino estoril), que incentivaram muitos, principalmente as classes mais altas e novo riquistas. Este género de jardins são directamente descendentes do Jardim tipo  Versailles e similares.
Assim a globalização e as diferentes ideias culturais vão-se apoderando e destruindo a flora natural local. No meu caso onde vivo actualmente vejo quase diariamente novos jardins a serem erguidos seguindo em 70% dos casos o conceito de um canteiro – um relvado com palmeiras-. Este conceito leva a que a alfarrobeira, o medronheiro, o sobreiro, azinheira, romãzeira, nogueira, pereira, zimbro, entre outras tantas, vão literalmente desaparecendo da paisagem cingindo-se a pequenos espaços como as reservas naturais, florestais ou em zona de agricultura ecológica.
No entanto são essas especies vegetais, as autoctones e que fazem parte do nosso eco-sistema local e/ou nacional. Essa plantas além dos frutos, disponibilizam madeira e guarida ás aves e fauna, fornecem um equilibrio natural de prevenção a doenças e pragas auxiliando-se umas ás outras, dispensando ainda os gastos de herbicidas, pesticidas e regas. Promovem a humidade nos solos e ajudam a rete-la pela manhã. Muitas são excelentes sombras e abrigos para os picos estivais.
Veja-se o caso dos relvados – exigem manutenções semanais ou quinzenais da Primavera ao Outono, obrigam à aplicação de 1 adubo de fundo e 2 a 3 adubações azotadas por ano, adubos esses que chegam a percorrer mais de 7000km provenientes das fábricas de origem. Sem contar com os preventivos quimicos esterilizadores de solo para evitar que alguma praga se instale no relvado, e que acabam por se diluir nos lençois freáticos, contaminando-os.
A palmeira – Phoenix canariensis de seu nome latino, não serve para madeira, não serve para ninhos, não dá frutos ou mesmo boas sombras. Tem uns picos que podem até matar chegando a atinjir inclusivamente 40cm de comprido, ou seja autênticos estiletes! Por fim esta árvore dispensa as regas fora do periodo da chuva. É das poucas especies vegetais que vivem no deserto.
 
 Medroneiro com 3 anos. Excelente árvore de fruto. Sombra. Abrigo ás aves. Cresce lentamente e não sofre de problemas tipo "escaravelho da palmeira". Já vi medronheiros com mais de 7 metros de altura. Já é muito bom para os jardins do Sul em substituição às palmeiras.
 
As entidades responsaveis pelo próprio Estado negligenciam este problema, e nem sequer percebem (?) que os gastos dos lençois freáticos são enormíssimos, quando actualmente a preocupação da diminuição dos recursos hídricos é cada vez maior e preocupante.
Uma das soluções é recuperar os nossos espaços verdes com a nossa flora, relvados sim mas só em pontos muitos específicos, ou mesmo usando prados de sequeiro como opção e plantas mediterranicas, que aliás, são bastante apreciadas pelos estrangeiros. Dever-se-à tambem racionar a água, evitando-a de usar indeliberadamente, fiscalizando para esse efeito todas as entidades que a usem com um departamento policial exclusivamente preparado para esse fim – tipo policia da água- tal como já existe em determinados locais do mundo, veja-se o exemplo no Colorado, E.U.A.
Hoje em dia, como profissinal, e quando convidado a fazer relvados com palmeiras, dou alternativas com plantas locais, e em ultimo recurso encaminho o cliente para outro profissional que o faça pois eu, pensando nas minhas filhas e a seguir a ética profissional recuso-me a participar.
A globalização ainda não afectou sob uma forma cívica e racional a informação didáctica disponível para (re)educar todos os cidadãos adequadamente aos grandes desafios relativos às alterações climáticas que se avizinham.
-A Internet é a porta, janela e casa da globalização. É perigosa para quem não sabe usufruir e usar da informação existente, e, depende de quem a abre e como a abre...considero-a a biblia da proxima civilização-
Dessa forma este fenómeno globalizacional tem vantagens e desvantagens. Enquanto os lobbyes forem mais fortes que os interesses das nações e da humanidade, a globalização existirá para os beneficiar. O comum dos mortais, passa pelos (futuros) crimes sem perceber, o quanto de destruidor e negativo tem a implementação de flora estrangeira em habitats sensiveis. Vejamos um caso de globalização ocorrido à quase 200 anos e analise-se as conclusões: o Eucaliptus e a Acácia provenientes da Austrália e introduzidas em Portugal nos meados do século XIX, no jardim de Monserrate em Sintra pelo arquitecto inglês James Burt ou noutros pontos como a reflorestação e a protecção das àreas cultivadas aos ventos marítimos.
Seguindo a mesma lógica de raciocinio do exemplo dado, daqui a 100 anos vamos ter graves problemas com excessos de palmeiras, e recursos hidricos esgotados ou contaminados, no caso da relva será um problema menor visto que morrerá de seca ou será transformada em pastos de herbívoros.
Se não aprendemos com os erros do passado, e se nos recusarmos a auto reeducar e à sociedade, vamos continuar a seguir os passos e cometer erros passados em outras gerações.
Assim sendo que herança deixo à minha filha? Bens materiais em excesso e sintéticos criados pelo homem e uma natureza destruida? Será que é isso que ela vai gostar?
E a herança patrimonial? Natural? ...Mesmo a cultural está totalmente desfigurada...
Reflexão: Veja-se o caso recente da Madeira, acha o leitor que palmeiras são solução para prevenir erosão e quedas abruptas de água e pedras? Ou seria melhor as autoctones lá da ilha, juntamente com cursos de água em zigue-zague e pequenas cascatas de 10 em 10 metros não reduziria substancialmente a velocidade da mesma?
NOTA: Falei unicamente sobre o aspecto negativo relativo a uma das deficiências dos “profissionais” de jardinagem em Portugal. Dever-se-à analisar todos os outros pontos negativos repercutidos em todas as profissões existentes.
sinto-me: angustiado
música: Vivaldi - 4 estações
publicado por reflexoessustentaveis às 21:00
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